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Aracnos by Anderson Oliveira

Anderson Oliveira

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* * * CONTAGEM REGRESSIVA PARA ME TORNAR O MELHOR DOS MELHORES! * * *

Não que eu me julgue melhor do que ninguém, longe de mim, mas resolvi traçar um objetivo a médio prazo: ser o MELHOR, e eu conheço o Segredo para isso.

A busca pela Verdade Universal ainda não acabou, mas já tive grandes resultados. Minha visão do mundo nunca mais será a mesma.

Auto piedade nunca me levou a nada.

Minha Fé superou as religiões. O Destino é o verdadeiro Deus. Mas Jesus sempre será o único dígno de se chamar de Mestre.

Quero compartilhar essa felicidade plena e sem falsos sorrisos com verdadeiros amigos.

Tenho tudo que quero e preciso.

Que assim seja!
___________________________

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- QUE DEUS TE DÊ EM DOBRO TUDO O QUE VOCÊ ME DESEJAR!!
January 07

Capítulo 4

4

AS CRÔNICAS DA TERRA

Como se não bastassem as analogias encontradas entre a mitologia grega e a hindu, tábuas de argila descobertas nos arquivos hititas (num sítio arqueológico hoje conhecido como Bogazkõy) continham mais relatos sobre as mesmas histórias. Falavam de disputas entre gerações mais novas e mais velhas e sobre a luta de um deus pela supremacia.

Os textos mais longos como seria de esperar, tratavam da deidade suprema dos hititas, Teshub: de sua genealogia, seu direito de dominar as regiões superiores da Terra e as guerras que teve com o deus Kumarbi e seus descendentes. Contendo diversos paralelos com lendas gregas e egípcias, esses registros dizem que o Vingador de Kumarbi foi escondido pelos que o apoiavam numa região da Terra "de tons escuros", até que ele se tornasse adulto. A batalha final entre eles e Teshub desenrolou-se nos mares e no ar; numa das lutas, Teshub foi auxiliado por setenta deuses conduzindo seus carros magníficos. Nas primeiras refregas, Teshub foi ferido e precisou esconder-se, ou exilar-se, mas finalmente voltou para desafiar seu oponente num combate pessoal. Armado com "o Trovejador que espalha pedras por quase dois quilômetros" e com "o Raio que cintila assustadoramente", ele subiu aos céus em seu carro puxado por dois Touros do Céu folheados a ouro e de lá "voltou seu rosto" para o inimigo. Embora esteja faltando o final do conto, pois as placas estão muito fragmentadas, fica evidente que Teshub saiu vitorioso.

Quem eram esses deuses antigos que lutaram entre si pela supremacia da Terra, atirando uma nação contra outra?

Encontramos algumas pistas sobre eles nos tratados que puseram fim a algumas das inúmeras guerras que os homens fizeram em favor de seus deuses.

Quando os egípcios e os hititas firmaram a paz depois de mais de dois séculos de conflito, ela foi selada pelo casamento da filha do rei Hattusilish li com Ramsés II. O faraó registrou o evento em estelas comemorativas que mandou colocar em Kamak, na ilha Elefantina, perto de Assuã, e em Abu Simbel.

Descrevendo a viagem e a chegada da princesa ao Egito, a inscrição conta que, quando "Sua Majestade viu que a noiva era tão bela de rosto como uma deusa", imediatamente se apaixonou por ela, considerando-a "um encantador presente do Deus Ptah" e o justo reconhecimento de sua "vitória" pelos hititas. Outros trechos da inscrição esclarecem melhor todas as manobras diplomáticas que levaram a essa história de amor. Treze anos antes, Hattusilish enviara ao faraó os termos de um tratado de paz, mas Ramsés, ainda impressionado com sua experiência quase fatal na batalha de Cades, o ignorara. "O grande chefe de Hatti então escreveu a sua majestade ano após ano, tentando uma conciliação; mas o rei Ramsés não lhe deu atenção". Finalmente, Hattusilish, desistindo das mensagens em placas de argila, "enviou sua filha mais velha, precedida de precioso tributo", acompanhada de nobres da corte. O faraó, depois de receber todos os presentes, designou uma escolta para ir encontrar-se com os visitantes e levá-los para o palácio. Foi então que, como vimos acima, ele sucumbiu aos encantos da princesa. Fazendo dela sua rainha, Ramsés deu-lhe o nome de Maat-Neferu-Ra ("A Beleza que Ra Contempla").

Esse amor à primeira vista foi de muita valia para aumentar nossos conhecimentos sobre a história da Antiguidade, pois o faraó acabou aceitando o tratado de paz, que se mostrou duradouro, e mandou gravá-lo em Karnak, não muito longe da estela com o conto sobre a batalha de Cades e o da chegada da bela princesa. Duas cópias do texto do tratado - uma quase completa e outra bastante quebrada - foram descobertas, decifradas e traduzi das por egiptólogos, e como resultado não temos apenas todos os termos de acordo, mas sabemos também que o rei hitita escreveu-o em acadiano, a língua usada na época para as relações internacionais, tal como o francês no século 19.

Para o faraó, Hattusilish enviou uma cópia do original em acadiano, gravada numa placa de prata, que a inscrição egípcia no templo de Karnak descreve da seguinte maneira:

O que está no meio da placa de prata, na frente:

Figuras representando Set abraçando o grande príncipe de Hatti, cercadas por uma borda com as palavras "O selo de Set, governante do firmamento; o selo dos regulamentos feitos por Hattusilish"...

O que está dentro do que cerca a imagem do selo de Set no outro lado:

Figuras representando a deusa de Hatti abraçando a princesa, cercadas por uma borda com as palavras "O selo de Ra da cidade de Arinna, o senhor da terra"...

O que está dentro da moldura que cerca as figuras: o selo de Ra de Arinna, o senhor de todas as terras.

Nos arquivos reais hititas, os arqueólogos descobriram vários selos reais com desenhos da deidade principal abraçando o rei, exatamente como o descrito no templo de Kamak, inclusive com a inscrição na moldura circular. Por mais incrível que pareça, o tratado original, escrito em acadiano e ocupando duas placas de argila, também foi descoberto no sítio de Bogazkõy. Só que o texto hitita chama sua deidade suprema de Teshub, e não "Set de Hatti". Como Teshub, significava "Tempestade de Vento", e Set (a julgar pelo seu nome grego, Tífon) seria "Vento Furioso", tem-se a impressão de que os egípcios e os hititas estavam combinando seus panteões pelos epítetos dos deuses. Acompanhando essa linha, a esposa de Teshub, Hebat, é referida como "Senhora do Firmamento" na versão egípcia do texto, para haver um paralelo com a deidade local conhecida por esse título. Também, o que os egípcios escreveram como Ra ("O Brilhante") era o hitita "Senhor do Firmamento", a quem a versão acadiana chama de Shamash ("O Brilhante"), e assim por diante.

Com a descoberta desses textos, ficou evidente que egípcios e hititas estavam combinando panteões separados, porém paralelos, e os estudiosos começaram a imaginar o que outros tratados da Antiguidade poderiam revelar. Um dos que forneceram informações surpreendentes foi o feito por volta de 1350 a.C. entre o rei hitita Shuppilulima e Mattiwaza, soberano do reino hurrita de Mitanni, que ficava situado às margens do rio Eufrates, entre o país dos hititas e as antigas terras de Sumer e Acad.

Feito em duas cópias, como de hábito, o original do tratado foi depositado no santuário do deus Teshub, na cidade dos hurritas chamada Kahat - e tanto a aplaca como o lugar perderam-se nas areias do tempo. No entanto, a outra cópia, colocada na cidade sagrada dos hititas, Arinna, "diante da deusa do Disco Surgente", foi descoberta pelos arqueólogos cerca de 3300 anos depois!

Como todos os tratados escritos na época, esse também terminava com um apelo "aos deuses das partes contratantes para estarem presentes, para ouvirem e servirem de testemunhas", de modo que a adesão aos termos resultasse em bem-aventurança, e a violação em castigo divino. Vinha então a lista dos deuses dos dois reinos começando com Teshub e sua consorte Hebat como as divindades supremas de ambos, seguidos pelos deuses "que regulam a realeza" em Hatti e Mitanni, em cujos santuários seriam guardadas as cópias. Depois havia várias deidades mais jovens, tanto masculinas como femininas, descendentes dos deuses reinantes, tendo ao lado o nome das capitais provinciais onde atuavam como divindades reinantes, representando seu país.

Nesse tratado, os estudiosos encontraram uma lista bem clara, mostrando os mesmos deuses na mesma posição hierárquica, algo bem diverso do caso dos hititas com os egípcios, onde se tentou combinar panteões diferentes. Outros textos encontrados comprovaram que os hititas tinham emprestado seus deuses dos hurritas no início da formação de sua nação. No entanto, esse tratado em particular continha uma surpresa especial para os eruditos. No final da tábua de argila, entre as testemunhas divinas, estavam os nomes de Mitraash, Druwana, Indar e os deuses Nashatiyanu - nada mais nada menos que Mitra, Varuna, Indra e os Nasatya do panteão hindu.

Os deuses hurritas seriam, então a fonte de onde tinham se originado os hititas e os hindus? A resposta foi encontrada nesse mesmo tratado, pois esses deuses "arianos" estavam precedidos dos nomes de seus pais e avós, os "Velhos Deuses": os casais Anu e Antu, Enlil e sua esposa Ninlil, Ea e Damkina, e mais "o divino Sin, senhor da promessa... Nergal de Kutha... o deus guerreiro Ninurta... a guerreira Ishtar".

Esses nomes são mais que conhecidos. Eles já tinham sido invocados por Sargão de Acad, que afirmara ser "Supervisor de Ishtar, sacerdote ungido de Anu, o grande e virtuoso pastor de Enlil". O neto de Sargão, Naram-Sin ("A Quem o Deus Sin Ama"), escreveu que só pôde atacar a Montanha dos Cedros quando o deus Nergal "abriu o caminho" para ele. Hamurabi da Babilônia marchou contra outras terras "sob o comando de Anu, com Enlil avançando à frente do exército". O rei assírio partiu para suas conquistas atendendo as ordens de Anu, Adad e Ninurta. Shalmaneser lutou com armas fornecidas por Nergal. Asaradão, ao marchar para Nínive, tinha a companhia de Ishtar.

Esclarecedora também foi a descoberta de que os hititas e hurritas, embora falassem línguas diferentes, escreviam o nome de seus deuses em sumério. Até mesmo o adjetivo "divino" era o sumério DIN.GIR, literalmente "Os Justos (DIN) dos Foguetes (GIR)" . Assim, o nome de Teshub era escrito DIN.GIR IM ("O Divino Tempestuoso"), que era o nome sumério do deus Ishkur, também conhecido como Adad; ou podia ser escrito DIN.GIR U, significando "O Deus 10", a posição numérica de Ishkur/ Adad - já que a de Anu era a mais alta (60), vindo em seguida Enlil (50), Ea (40), e assim por diante. Também, como o deus sumério IshkurÃdad, Teshub era retratado pelos hititas brandindo sua arma emissora de raios, uma "Arma de Brilho".

Na época em que os arqueólogos, escavando a região de Bogazkõy, tiraram do esquecimento o povo hitita e seus manuscritos, os estudiosos já tinham como certo que antes dele e dos egípcios, antes da Assíria e da Babilônia, e até mesmo antes de Acad, florescera na Mesopotâmia uma grande civilização, a Suméria, e que todas as outras subseqüentes não passavam de seus rebentos.

Atualmente não existe dúvida nenhuma de que foi na Suméria que as lendas sobre deuses e homens foram registradas pela primeira vez. Os escribas nos deixaram numerosos textos - numa quantidade e com uma riqueza de detalhes surpreendentes -, dos quais se originaram os registros sobre a pré-história e história antiga de nosso planeta. E a esses textos chamamos de AS CRÔNICAS DA TERRA.

A descoberta e a compreensão das civilizações tem sido um processo de contínuo espanto, de surpresa constante. Os monumentos da Antiguidade - pirâmides, zigurates, imensas plataformas artificiais, templos monumentais - teriam permanecido como simples enigmas, indícios mudos de eventos ocorridos há muito tempo, se não fosse a Palavra Escrita. Se não existissem as inscrições, jamais saberíamos a respeito da idade, dos construtores e do propósito dessas maravilhas antigas.

Devemos tudo o que sabemos aos escribas da Antiguidade um bando prolífico e meticuloso que usou monumentos, artefatos, pedras de fundação, tijolos, utensílios, armas e objetos dos mais diferentes materiais para escrever nomes e registrar eventos. Acima de tudo, eles usaram tabuinhas de argila: pedaços de barro úmido, alguns apenas do tamanho da palma da mão, em que o escriba, com gestos hábeis, gravava com um instrumento pontudo os símbolos que formavam sílabas, palavras e sentenças. Em seguida a tabuinha era posta para secar, naturalmente ou em forno, e estava criado um registro permanente. Esses registros sobreviveram a milênios de anos de erosão natural e destruição humana.

Num local após outro, em centros de comércio ou administração, em templos e palácios, por todos os cantos do Oriente Médio da Antiguidade, existiam arquivos estatais e particulares cheios dessas plaquinhas. Havia também verdadeiras bibliotecas, onde elas ficavam cuidadosamente arranjadas, classificadas por temas, com índice, o nome do escriba, em seqüência numerada etc. Sem exceção, sempre que continham a história ou a ciência dos deuses, eram identificadas como sendo cópias de tabuinhas anteriores, escritas na "língua antiga".

Os arqueólogos ficaram maravilhados ao descobrir a grandeza da Assíria e da Babilônia, mas o que os surpreendeu ainda mais foram as inscrições falando em "cidades antigas". Também intrigaram-se com o título "rei da Suméria e Acad", que os soberanos desses impérios tanto desejavam.

Só depois da descoberta dos registros sobre Sargão de Acad foi que os estudiosos modernos se convenceram de que um grande reino, o de Acad, realmente florescera na Mesopotâmia meio milênio antes do surgimento da Assíria e da Babilônia. Foi com enorme espanto que eles leram nesses documentos que Sargão "derrotara Uruk e demolira sua muralha... Sargão, rei de Acad, derrotou o povo de Ur... Ele venceu E-Nimmar, derrubou suas muralhas e conquistou seus territórios, de Lagash até o mar. Ele lavou suas armas no mar. Na batalha com os habitantes de Umma, saiu vitorioso...".

Então existiam centros urbanos, cidades fortificadas na época de Sargão de Acad e até antes de 2500 a.C.?

Atualmente se sabe que isso é verdade. Eram as cidades e centros urbanos da Suméria, aquela mesma Suméria que aparecia nos títulos tão ansiados pelos reis da Assíria e da Babilônia. Depois de um século de descobertas arqueológicas e pesquisas históricas, ficou estabelecido que aquela foi a região onde, há 6 mil anos, começou a Civilização Humana.

Onde, de forma súbita e inexplicada, como se tivessem saído do nada, surgiram uma linguagem escrita e a literatura, reis e sacerdotes, escolas e templos, médicos e astrônomos, arranha-céus, canais, docas e navios, urna agricultura intensiva, uma metalurgia avançada, a indústria têxtil, o comércio e o intercâmbio, leis e conceitos de justiça e moralidade, teorias cosmológicas... E o registro de lendas e eventos da pré-história e da história.

Em todas as inscrições, sejam elas longos contos épicos, sejam provérbios de duas linhas, em textos relativos ao divino ou ao mundano, emergem fatos que revelam os princípios inquebrantáveis dos sumérios e dos povos que vieram depois deles: em tempos muito antigos, os DIN.GIR - "Os Justos dos Foguetes" -, aqueles seres que os gregos passaram a chamar de "deuses", chegaram à Terra vindos de seu próprio planeta. Eles escolheram a parte sul da Mesopotâmia para se estabelecer, fazendo dela seu novo lar. Deram a essa região o nome de KI. EN.GIR - "A Terra do Senhor dos Foguetes" (Shumer, o nome acadiano, significava "Terra dos Guardiões") - e ali fundaram os primeiros povoados na Terra.

Não era à toa que os sumérios afirmavam que os primeiros a estabelecer povoados na Terra tinham sido astronautas de outro planeta. Em todos os textos que falavam sobre o início da civilização, o ponto de partida era sempre algo como: "432 mil anos antes do Dilúvio, os DIN.GIR chegaram à Terra vindo de seu próprio planeta". Os sumérios consideravam esse planeta como o décimo segundo membro de nosso sistema solar, um sistema constituído pelo Sol no centro, a Lua e todos os nove planetas cuja existência conhecemos atualmente, mais um planeta muito grande, cuja órbita dura um Sar, ou seja, 3600 anos terrestres. Essa órbita, escreveram, leva o planeta a uma "estação" nos céus distantes e depois o traz para as vizinhanças da Tem, onde ele atravessa o espaço entre Marte e Júpiter. E foi devido a essa posição, mostrada num desenho sumério de 4500 anos, que o planeta ganhou seu nome NIBIRU ("Cruzamento") - e seu símbolo: a cruz.

Por intermédio de numerosos textos sabemos que o comandante dos astronautas que chegou à Terra vindo de Nibiru era chamado E. A. ("Aquele cuja Casa Fica na Água"). Depois de estabelecer Eridu, a primeira base em nosso planeta, ele ganhou o título de EN.KI ("Senhor da Terra"). Uma inscrição descoberta nas ruínas da Suméria registra sua aterrissagem sob a forma de um relato na primeira pessoa:

Quando me aproximei da Terra, havia muita inundação.

Quando me aproximei de suas várzeas verdejantes, ordenei que fossem empilhados montes de terra. Construímos minha casa num lugar puro...

Minha casa... Sua sombra se estende sobre o pântano das cobras.

O texto prossegue descrevendo os esforços de Ea para construir extraordinárias obras de contenção de água nos pântanos da cabeceira do golfo Pérsico. Ele fez a topografia dos manguezais, abriu canais para drenagem e controle da água, construiu diques, escavou valas e erigiu estruturas de tijolos feitos com argila local. Além disso, uniu os rios Tigre e Eufrates por canais e, na margem da área pantanosa, construiu sua Casa na Água, com um ancoradouro e outras facilidades.

Tudo isso não foi feito sem um motivo específico. Havia uma enorme necessidade de ouro no planeta de Ea. E essa necessidade não estava relacionada com usos frívolos, pois nos milênios que se seguiram esses viajantes jamais foram retratados usando jóias. O ouro, sem dúvida, desempenhava um papel importante no programa espacial dos nibiruanos, como fica evidente a partir dos textos hindus que descrevem carros celestiais folheados a ouro. E, de fato, o ouro é um metal vital em muitos dos instrumentos e veículos espaciais de nosso tempo. No entanto, isso apenas não justificaria a intensa procura por ele na Terra e os imensos esforços realizados pelos nibiruanos para minerá-lo aqui e transportá-lo em grandes quantidades para seu planeta. Tudo indica que o metal, devido a suas propriedades singulares, era necessário para atender exigência crucial, relacionada com a própria sobrevivência dos habitantes de Nibiru. É possível que fosse usado suspenso em partículas na atmosfera do planeta, funcionando como um escudo, protegendo-o de uma dissipação que seria fatal.

Ea, filho do governante de Nibiru, foi bem escolhido para a missão. Ele era um engenheiro brilhante, além de cientista, apelidado de NU.DIN.MUD ("O que Faz Coisas"). Seu plano era extrair ouro das tranqüilas águas do golfo Pérsico e das áreas pantanosas adjacentes, que adentravam a Mesopotâmia. Os membros sumérios costumavam mostrá-lo como o deus das águas correntes, sentado num laboratório com frascos interconectados a sua volta.

No entanto, o prosseguimento do relato sugere que nem tudo transcorria de acordo com o planejado. A produção de ouro mantinha-se abaixo das expectativas e, para lhe dar maior velocidade, mais astronautas foram enviados à Terra. Esses visitantes, que aparecem com o nome de Anartnaki ("Os que do Céu Vieram para a Terra"), começaram a chegar em grupos de cinqüenta, e um deles era liderado pelo primogênito de Ea/Enki, MAR.DUK. O relato registra uma mensagem urgente de Marduk a seu pai, na qual ele descreve uma quase calamidade no vôo para a Terra, quando a nave espacial passava perto de um dos grandes planetas do sistema solar, Júpiter provavelmente, e quase colidiu com um de seus satélites. Descrevendo o "ataque" contra sua nave, Marduk, ainda emocionado, contou ao pai:

Ele fora criado como uma arma;

Avançou como se fosse a morte...

Os Anunnaki, que são cinqüenta, ele golpeou...

O Orbitador Supremo, voador, com aspecto de pássaro, ele golpeou no peito.

Uma gravação num selo cilíndrico sumério pode ser a ilustração do relato: mostra o Senhor da Terra (à esquerda), ansioso, saudando o filho, que está vestido como um astronauta (à direita), e a espaçonave entre Marte (a estrela de seis pontas) e a Terra (o sétimo planeta do sistema solar, contando-se de fora para dentro), simbolizada por sete pontinhos e com a Lua perto dela.

No planeta natal de Enki, governado por seu pai AN (Anu, em acadiano), as atividades das equipes eram seguidas com ansiedade e expectativa. Pouco a pouco deve ter surgido a impaciência, e depois a decepção, com a falta de progresso. Evidentemente, o plano de extrair ouro da água do mar por meio de processos de laboratório não funcionava como se esperara de início.

Todavia, o ouro continuava sendo de grande necessidade. Os Anunnaki só tinham duas opções: abandonar o projeto ou tentar obter o metal de outra maneira, isto é, pela mineração convencional. Eles sabiam que havia ouro em abundância no AB.ZU ("A Fonte Primeva"), no continente africano. (Nas línguas semitas que derivaram do sumério, até hoje zaab - abzu com as sílabas invertidas - é a palavra para ouro).

Essa segunda opção, contudo, representava um grande problema. O ouro africano teria de ser retirado das profundezas da terra, o que significava abandonar um processo sofisticado de tratamento de água e enfrentar o duro trabalho de mineração abaixo da superfície do solo. Um empreendimento desse tipo exigiria mais Anunnaki, uma colônia no "lugar dos veios brilhantes", aumento das instalações na Mesopotâmia e uma frota de navios de minério (MA.GUR UR.NU AB.ZU - "Navios para os Minérios do Abzu") fazendo a ligação entre os dois povoamentos. Enki teria capacidade para administrar tudo isso sozinho?

Anu achou que não. Oito anos de Nibiru depois da chegada de Enki - 28 800 anos terrestres -, ele veio à Terra para examinar a situação com seus próprios olhos e chegou acompanhado do herdeiro legítimo, EN.LIL ("Senhor do Comando"), talvez por considerá-lo mais qualificado para se encarregar da Missão Terra e organizar o transporte do ouro para Nibiru.

A escolha de Enlil pode ter sido fundamental, mas criou sérios problemas, pois só serviu para aumentar a rivalidade e o ciúme entre os dois meios-irmãos. Enki era o primogênito de Anu com Id, uma de suas seis concubinas, e poderia esperar herdar o trono do pai. Mas, como aconteceu no conto bíblico envolvendo Abraão, sua concubina Hagar e Sara sua esposa e meia-irmã, a esposa e meia-irmã de Anu, Antum, lhe deu um filho, Enlil.

Pelas regras de sucessão de Nibiru - fielmente adotadas pelo patriarca da Bíblia -, Enlil tornara-se o herdeiro legítimo, passando à frente de Enki. Podemos imaginar o que Enki sentiu ao ver seu rival, aquele que o privara do trono, chegar à Terra para assumir o comando!

 Nunca é demais enfatizar a importância da linhagem nas guerras dos deuses; elas estão na base de todas as lutas pela sucessão e supremacia, tanto em Nibiru como posteriormente na Terra.

De fato, quando deslindamos a intrigante persistência e a ferocidade das guerras dos deuses, tentando encaixá-las na estrutura da história e da pré-história de nosso planeta - uma tarefa jamais tentada antes -, fica claro que todas tiveram origem num código de comportamento sexual não com base na moralidade, mas em considerações de pureza genética. No cerne dessas guerras sempre esteve uma intricada genealogia que determinava a hierarquia e a sucessão, e os atos sexuais dos que pertenciam à linhagem dominante não eram avaliados por sua ternura ou violência, mas por seu propósito e resultado.

Existe uma lenda suméria que conta como Enlil, o comandante-chefe dos Anunnaki, encantou-se com uma jovem enfermeira que viu nadando nua num rio. Ele a persuadiu a acompanhá-lo num passeio de barco e fez sexo com ela, apesar dos protestos da moça ("Minha vulva é pequena, não conhece cópula"). Apesar de sua parte patente, Enlil foi preso pelos "cinqüenta deuses superiores" quando voltava para sua cidade, Nippur, e "os sete Anunnaki juízes" o consideraram culpado do crime de estupro, condenando-o ao exílio no Abzu. Ele só foi perdoado quando se casou com a jovem deusa, que o seguira até o exílio.

Muitas canções celebraram o caso de amor entre Inanna e um jovem deus chamado Dumuzi, descrevendo com comovente ternura seus atos sexuais:

Ó, eles puseram sua mão na minha para mim.

Ó, eles puseram seu coração perto do meu para mim.

Doce é dormir de mão dada com ele, mas o mais doce dos doces é também a beleza e me unir coração a coração com ele.

O tom aprovador dos versos é compreensível, pois Dumuzi era o noivo de Inanna, escolhido por ela com a aprovação de seu irmão UtuShamash. Mas para nós é bastante difícil entender um texto em que Inanna descreve cenas de amor apaixonado com o próprio irmão:

Meu amado veio ao meu encontro, extraiu de mim, regozijou-se junto comigo.

Meu irmão levou-me a sua casa, fez-me deitar em seu doce leito...

Em uníssono as línguas trabalhando em uníssono, meu irmão, o do mais belo dos rostos, fez cinqüenta vezes.

Devemos ter em mente que o código de conduta dos Anunnaki proibia o casamento, mas não o amor entre irmão e irmã plenos. Por outro lado, o casamento entre meios-irmãos era até encorajado, e os descendentes desse casal tinham precedência na ordem hierárquica. Enquanto o estupro era condenado, o sexo, mesmo se irregular e violento, era aceito desde que visasse a sucessão ao trono. Uma longa história relata como Enki, desejando ter um filho homem de sua meia-irmã Sud, aproveitou-se do fato de encontrá-la sozinha e "derramou sêmen em seu ventre". Sud, porém, deu à luz uma filha, e Enki, ainda querendo um herdeiro, passou a fazer amor com a menina logo que ela se tornou "jovem e bela". "Ele extraía prazer dela, abraçava-a, deitava em seu colo; ele toca as coxas, ele toca a ... Da menina com quem coabita". Esse tipo de coisa continuou despudoradamente com uma sucessão de filhas jovens até que Sud lançou uma maldição em Enki, que o deixou paralítico. Só então cessaram suas estripulias sexuais em busca de um herdeiro.

Quando Enki envolveu-se nessas artes, ele já estava casado com Ninki, o que mostra que o mesmo código que condenava o estupro não proibia o incesto ou aventuras extraconjugais. Sabemos que os deuses podiam ter esposas e concubinas à vontade (um texto catalogado como CT-24 dá uma lista de seis concubinas de Anu), mas eram obrigados a escolher uma delas como a consorte oficial, dando sempre preferência a uma meia-irmã.

Quando um deus, além de seu nome e vários epítetos, era contemplado com um nome-título, a consorte oficial passava a ser honrada com a forma feminina correspondente. Assim, quando An recebeu seu título ("O Celestial"), sua consorte passou a ser chamada de Antu, ou seja, Anu e Antum em acadiano. A enfermeira que se casou com Enlil ("O Senhor do Comando") recebeu o título-nome de Ninlil ("A Senhora do Comando"); a esposa de Enki, Damkina, era chamada de Ninki, e assim por diante.

Devido à importância das relações familiares entre esses grandes Anunnaki, muitas das chamadas Listas de Deuses feitas pelos antigos escribas eram de natureza genealógica. Numa delas, intitulada AN:ilu Anun, estão os nomes de "quarenta e dois antepassados de Enlil", arranjados como vinte e um casais divinos. Isso devia ser um sinal de grande linhagem real, pois dois documentos que tratam de Anu também dão uma lista de vinte e um casais ancestrais em Nibiru. Aprendemos que os pais de Anu eram AN.SHAR.GAL ("O Grande Príncipe do Céu") e KI.SHAR.GAL ("A Grande Princesa do Solo Firme") e, como seus nomes indicam, eles não eram o casal reinante de Nibiru. Sendo um grande príncipe, o pai de Anu devia ser o herdeiro legítimo, e sua consorte a primeira filha do governante (com uma esposa diferente) e, assim, sua meia-irmã.

Nesses acontecimentos ligados à genealogia estão a chave para a compreensão tanto dos eventos ocorridos em Nibiru, antes da vinda de seus habitantes para a Terra, como dos eventos posteriores, depois de sua chegada a nosso planeta.

O fato de os nibiruanos terem mandado Ea vir à Terra em busca de ouro significa que eles já estavam a par da disponibilidade do metal neste planeta bem antes da chegada do primeiro grupo. Como?

As respostas podem ser muitas. Talvez tenham sondando a Terra com satélites não tripulados, tal como atualmente estamos fazendo em relação a outros planetas de nosso sistema solar. É possível que tenham feito rápidas expedições à Terra, como fizemos à Lua. Na verdade, quando lemos os textos que tratam das viagens espaciais entre Nibiru e a Terra, não podemos descartar a possibilidade de eles também terem pousado em Marte.

Não sabemos se nem quando aconteceram essas primeiras aterrissagens premeditadas, mas existe uma crônica muito antiga que fala de um pouso anterior feito em circunstâncias dramáticas, quando um governante deposto de Nibiru fugiu para nosso planeta pilotando sua espaçonave!

Essa fuga deve ter acontecido bem antes de Ea ser mandado à Terra pelo pai, porque foi em decorrência dele que Anu conquistou o trono.

A informação está contida num texto cuja versão hitita recebeu dos eruditos o nome de Realeza no Céu. Ele nos esclarece sobre a vida na corte de Nibiru e conta uma história de traição e usurpação digna de uma peça de Shakespeare. Revela que, quando chegou a hora da sucessão, seja por morte natural ou de outra forma qualquer, quem subiu ao trono não foi Anshargal, o pai de Anu e herdeiro legítimo, mas sim um parente chamado Alalu (Alalush, no texto hitita).

Com um gesto de reconciliação, ou por ser o costume, Alalu indicou Anu para o cargo de copeiro-mor, uma posição de grande honra e confiança que conhecemos por intermédio de vários textos e desenhos do Oriente Médio da Antiguidade. Mas, depois de nove anos nibiruanos, Anu (Anush, em hitita) "desafiou Alalu em batalha" e o depôs:

Uma vez, nos velhos dias, Alalush era rei no Céu.

Alalush estava sentado no trono; o poderoso Anush, primeiro entre os deuses, estava parado diante dele.

Ele fazia uma reverência com uma taça nas mãos, Por nove períodos contados, Alalush foi rei no Céu. No nono período contado, Anush desafiou Alalush em batalha.

Foi então que, como nos conta esse antigo texto, ocorreu a dramática fuga para a Terra.

Alalush foi derrotado e fugiu da presença de Anush.

Desceu para a Terra de tons escuros.

Anush sentou-se no trono.

Embora seja possível que muito sobre nosso planeta e seus recursos já fossem do conhecimento dos habitantes de Nibiru antes do vôo de Alalu, o fato é que nesse relato temos o registro de uma aterrissagem de nibiruanos antes da chegada da missão de Ea. As Listas de Reis Sumerianas relatam que o primeiro administrador da cidade de Eridu chamava-se Alulim - nome que poderia ser um outro epíteto para EA/Enki ou a versão suméria de Alalu. Com isso, ocorre-nos que Alalu, apesar de ser um governante deposto, pudesse estar preocupado com o destino de seu planeta natal a ponto de avisar o usurpador de seu trono que encontrara ouro nas águas da Terra. Uma informação que talvez confirme essa teoria é o fato de que houve uma reconciliação entre o usurpador e a família do derrotado, pois Anu indicou Kumarbi, neto de Alalu, para ser seu copeiro-mor.

No entanto, esse gesto de reconciliação só serviu para fazer a história se repetir em Nibiru. Apesar de todas as honras, Kumarbi não conseguiu esquecer que Anu usurpara o trono de seu avô. Com o passar do tempo sua hostilidade foi se tornando cada vez mais óbvia, até que Anu "não conseguia mais suportar o olhar de Kumarbi".

Foi por isso que, ao decidir vir à Terra em companhia do herdeiro legítimo Enlil, Anu achou mais seguro trazer também o jovem Kumarbi. As duas decisões terminaram por estragar a visita com disputas e uma agonia pessoal para Anu.

A resolução de trazer Enlil e colocá-lo no comando da missão criou discussões acaloradas com Enki, que ecoam em vários textos já decifrados. Enki, furioso, ameaçou deixar a Terra e voltar para Nibiru. No entanto, e se ao voltar para lá Enki resolvesse usurpar o trono? Anu poderia permanecer na Terra e indicar Enlil como seu substituto temporário em Nibiru, mas e se Enlil se recusasse a entregar o trono na volta do pai? Havia desconfiança por todos os lados. Finalmente ficou decidido que eles deixariam a escolha a cargo do destino, fazendo um sorteio. A divisão de autoridade que se seguiu é mencionada repetidamente nos textos sumérios e acadianos. Uma das mais longas Crônicas da Terra, um texto chamado O Épico Atra Hasis, registra o sorteio e seu resultado:

Os deuses deram-se as mãos, depois jogaram a sorte e dividiram:

Anu subiu para o Céu;

A Terra tomou-se súdita de Enlil;

Aquilo que o mar envolve como um laço deram ao príncipe Enki.

Enki ao Abzu desceu e assumiu o governo de Abzu.

Acreditando ter conseguido separar os irmãos rivais, "Anu subiu ao Céu". No entanto, enquanto estava no Firmamento da Terra, uma virada inesperada nos eventos o surpreendeu. Talvez como uma precaução, Kumarbi fora deixado na plataforma espacial que orbitava nosso planeta. Quando Anu chegou, pronto para partir na longa viagem de volta a Nibiru, viu-se confrontado pelo seu copeiro-mor. Palavras ásperas logo deram lugar a uma luta: Anu deu batalha a Kumarbi, e Kumarbi deu batalha a Anu. Vendo-se superado pelo adversário mais jovem, "Anu tentou desvencilhar-se das mãos de Kumarbi", mas este conseguiu agarrá-lo pelos pés e "mordeu-o entre os joelhos", ferindo Anu em sua "virilidade". Foram encontradas figuras antigas que ilustram a luta, mostrando inclusive o hábito dos Anunnaki de se ferirem nos órgãos genitais durante os combates pessoais.

Desonrado, cheio de dores, Anu partiu para Nibiru, deixando Kumarbi com os astronautas que tripulavam a plataforma orbital e os ônibus espaciais. Mas, antes de ir, amaldiçoou seu jovem inimigo, desejando que ele criasse "três monstros em sua barriga".

A similaridade entre esse conto hitita com a lenda da castração de Urano por Cronos não pede análises mais elaboradas. E, tal como nas lendas gregas, esse episódio preparou a cena para as guerras entre os deuses e os Titãs.

Depois da partida de Anu, a Missão Terra foi acelerada.

À medida que mais Anunnaki iam aterrissando - seu número acabou chegando a seiscentos -, alguns eram mandados ao Mundo Inferior para ajudar Enki na mineração do ouro, outros iam engrossar a tripulação dos navios de minério e o restante ficava com Enlil na Mesopotâmia. Nessa região foram fundados novos povoados, de acordo com um plano diretor elaborado por Enlil, parte de um plano completo de organização de procedimentos:

Ele aperfeiçoou os procedimentos, ordens divinas;

Estabeleceu cinco cidades em lugares perfeitos,

Deu um nome a cada uma.

Arranjou-as como centros.

A primeira dessas cidades, Eridu,

Ele concedeu a Nudimmud, o pioneiro.

Cada um desses povoados pré-diluvianos da Mesopotâmia tinha uma função específica, revelada por seu nome. O primeiro foi E.RI.DU ("Casa Construída num Lugar Longínquo"), o local de extração do ouro, situado à margem das águas, que permaneceu sempre como a residência de Ea na Mesopotâmia. Depois veio BAD.TIBlRA ("Lugar Brilhante onde os Minérios são Finalizados"), o centro metalúrgico onde era feita a fundição e o refino do ouro. Em seguida LA.RA.AK ("Vendo a Luz Brilhante"), a cidade onde ficava o radiofarol que orientava a aterrissagem dos ônibus espaciais. SIPRAR ("Cidade dos Pássaros"), o local do espaçoporto. E, depois, SHU.RUP.PAK ("O Lugar do Máximo Bem-Estar"), equipado com centro médico e que foi colocado sob a direção de Sud ("Aquela que Ressuscita"), meia-irmã tanto de Enki como de Enlil.

Uma outra cidade-guia, LA.AR.SA ("Vendo a Luz Vermelha"), também foi construída, pois a complexa operação da Missão Terra dependia de uma coordenação perfeita entre os Anunnaki e trezentos astronautas, os IGIGI ("Os que Vêem e Observam"), que permaneciam orbitando a Terra. Agindo como intermediários entre a Terra e Nibiru, os Igigi tripulavam as plataformas orbitais, onde ficavam estocadas as barras de ouro vindas da Terra nos ônibus espaciais, para serem transferidas posteriormente às espaçonaves maiores. Essas espaçonaves maiores depois as transportavam para o planeta-mãe, quando este se aproximava da Terra, completando sua enorme órbita elíptica. O mesmo caminho, ao contrário, era seguido na entrega de equipamentos e novos astronautas para a Terra.

Toda essa operação exigia um Centro de Controle da Missão, que logo Enlil começou a construir e equipar. Ele recebeu o nome de NIBRU.KI ("O Lugar de Nibiru na Terra") - Nippur, em acadiano. Lá, sobre uma plataforma artificialmente construída, equipada com antenas - o protótipo da "Torre de Babel" -, ficava uma câmara secreta, a DIR.GA ("Câmara Escura, Incandescente"), onde eram guardados os mapas espaciais ("Os emblemas das estrelas") e mantido o DUR.AN.KI ("O Vínculo entre o Céu e a Terra").

As crônicas garantem que os primeiros povoados dos Anunnaki na Terra foram "arranjados como centros". A essa afirmação enigmática podemos acrescentar o mistério das palavras dos reis pós-diluvianos, que diziam que, ao reconstruírem na Suméria as cidades arrasadas pelo dilúvio, tinham seguido:

O perene plano básico, que durante todo o tempo a construção determinou.

Ele é aquele que contém os desenhos dos Tempos Antigos e a escrita do Céu Superior.

O enigma fica resolvido quando marcamos as primeiras cidades fundadas por Enki e Enlil no mapa da região e as ligamos com círculos concêntricos. De fato elas foram "arranjadas como centros", todas eqüidistantes do Centro de Controle da Missão, em Nippur. E sua disposição era mesmo um plano vindo do "Céu Superior", pois só faz sentido a alguém que pudesse ver todo o Oriente Médio de bem alto. Escolhendo como o marco geodésico o monte Ararat com seus dois picos - o acidente geográfico mais notável da área -, os "deuses" construíram seu espaçoporto no ponto onde um eixo norte cortando o Ararat cruzava o rio Eufrates, facilmente visível. Nesse "perene plano básico", todas as cidades estavam arranjadas em flecha, determinando o Corredor de Aterrissagem até o espaçoporto de Sippar.

As periódicas remessas de ouro para Nibiru devem ter aplacado até mesmo as grandes rivalidades naquele planeta, pois Anu continuou seu soberano por um longo tempo. No entanto, os principais atores que ficaram na Terra, neste palco de "tons escuros", estavam prontos para dar vazão a todas as emoções imagináveis e entrar em incríveis conflitos.

October 28

Capítulo 3

3

OS MÍSSEIS DE ZEUS E INDRA

Depois de visitar o Egito, no século 5 a.C., Heródoto se convenceu de que os gregos haviam adquirido suas noções e crenças divinas a partir das tradições daquele país. Escrevendo para seus compatriotas, ele empregou nomes de deuses gregos para descrever as deidades egípcias análogas.

Além da analogia existente entre os atributos e os significados dos nomes dos deuses do Egito e da Grécia, um outro aspecto que levou o historiador a acreditar na origem egípcia da teogonia grega foram as semelhanças entre suas lendas. Uma dessas lendas, encontrada tanto entre os gregos como entre os egípcios, era a que narra a castração de um deus por outro numa disputa por supremacia. Heródoto deve ter ficado bastante intrigado, pois a história era peculiar demais para ser encarada como mera coincidência.

Por sorte, as fontes gregas das quais Heródoto provavelmente extraiu seus relatos ainda existem. São várias obras literárias, escritas e bem conhecidas muito antes dele; como a Ilíada, de Homero, as Odes, de Píndaro de Tebas, e principalmente a Teogonia ("Genealogia Divina"), de Hesíodo, um escritor nascido em Áscara, na Grécia central, e que viveu no século 8 a.C.

Sendo poeta, Hesíodo preferiu atribuir a autoria da Teogonia às Musas, as deusas da música, da literatura e da arte, que segundo ele o incentivaram a "celebrar em canções" as histórias da "reverenciada raça dos deuses, desde seu início... e cantar em seguida a raça dos homens e dos gigantes, para com isso alegrar o coração de Zeus no Olimpo". Diz Hesíodo que as Musas o procuraram num certo dia em que ele estava "apascentando suas ovelhas" perto da Montanha Sagrada em que elas habitavam.

Apesar dessa introdução bucólica, a história dos deuses revelada a Hesíodo pelas Musas era cheia de paixão, revolta, astúcia, mutilação e sangrentas lutas. A despeito de toda a glorificação de Zeus, não existe nos relatos nenhuma tentativa aparente de se encobrir a torrente de sanguinolenta violência que o levou à supremacia.

Hesíodo, transmitindo "as coisas que as Musas, nove filhas de Zeus, cantaram", escreveu:

Em verdade, no começo existia o Caos, e em seguida veio Géia, de amplo seio...

Então surgiu Tártaro, nas profundezas da Terra, e Eros, o mais belo entre os deuses imortais...

De Caos saíram Érebo e a negra Nyx; e de Nyx nasceram Éter e Hemera.

Esse primeiro grupo de deuses celestiais ficou completo quando Géia ("Terra") casou-se com seu próprio primogênito, Urano ("Céu Estrelado"), para poder incluí-lo na Primeira Dinastia dos deuses. Logo após ter dado à luz Urano, Géia teve uma filha, a graciosa Uréia, e um outro filho, "Ponto, a infrutífera Profundeza, com sua maré furiosa".

A geração seguinte de deuses era constituída pelos descendentes de Géia e Urano:

Mais tarde ela deitou-se com Urano e gerou o turbulento Oceano;

Coeus, Crius, Hiperíon e Iapeto;

Téia e Réia,Têmis e Mnemosine;

E Foebe, coroada de ouro, e a bela Tétis.

Depois deles nasceu Cronos, o voluntarioso, o mais jovem e terrível de seus filhos.

Embora essas doze criaturas - seis homens e seis mulheres fossem resultado de uma união entre mãe e filho, eram perfeitas, com uma aparência que fazia jus a sua origem divina. Mas, à medida que Urano ia se entregando cada vez mais a sua ânsia por sexo, seus outros descendentes, apesar de muito fortes, exibiam várias deformidades. Os primeiros monstros a nascer foram os três Ciclopes: Brontes ("O Trovejador"), Steropes ("O que Faz Raios"), e Arges ("O que Produz Irradiação"). "Em tudo eles eram como deuses, mas possuíam um único olho no meio da testa".

"Três outros filhos nascidos da união entre Géia e Urano eram grandes e valentes de uma forma sem precedentes: Cotos, Briareu e Giges, crianças audaciosas." Eram os Hecatônquiros ("Os de Cem Braços"), pois, como acrescenta Hesíodo, "de seus ombros saíam cem braços que não deixavam ninguém se aproximar deles, e cada um possuía cinqüenta cabeças".

Segundo conta a Teogonia, "Cronos odiava o pai devido a sua sensualidade exacerbada, mas Urano rejubilava-se com as próprias más ações".

"Então Géia confeccionou uma foice e explicou a seus queridos filhos o plano que elaborara", pelo qual o "pai pecador" seria punido por suas "vilanias". Ela cortaria a genitália de Urano, pondo fim a seus excessos sexuais. "O medo apoderou-se de todos; somente Cronos, o voluntarioso, mostrou coragem".

Vendo que Cronos era o único que teria a força suficiente para levar o plano adiante, Géia entregou-lhe a foice que confeccionara a partir de sílex cinzento e escondeu o filho em seus próprios aposentos, que ficavam à margem do Mediterrâneo.

E Urano veio à noite, ansiando por amor; deitou com Géia, esparramando-se sobre ela.

Então o filho saiu do esconderijo, estendeu a mão esquerda na direção do pai, enquanto na direita segurava a comprida foice de dentes como serra.

Num movimento rápido, cortou os órgãos genitais do próprio pai e jogou-os para trás, atirando-os no mar.

A castração de Urano não pôs fim a sua linha de descendentes. O sangue esguichava pelo ferimento e algumas gotas penetraram Géia, que concebeu e deu à luz "as fortes Ennins" ("Fúrias da Vingança"), "os Gigantes de armaduras brilhantes, com longas lanças nas mãos, e as Ninfas chamadas Melíades, as protetoras das árvores". Dos órgãos genitais decepados, que foram deixando atrás de si um rastro de espuma enquanto eram levados pela correnteza, "nasceu uma terrível e linda deusa... que homens e deuses chamam de ' Afrodite'".

Urano, querendo se vingar, chamou pelos deuses-monstros. Seus primeiros filhos, alegou, tinham se transformado "numa outra linhagem", os Titãs, que levados pela presunção tinham cometido o terrível crime. O assustado Cronos apressou-se a prender os Ciclopes e os outros gigantes monstruosos num local bem distante, para que nenhum deles pudesse atender ao chamado de seu pai.

Os outros deuses primordiais, além de Urano, também procriavam. Seus filhos recebiam nomes indicando seus atributos, e eles estavam longe de ser benevolentes. Depois da castração, Nyx atendeu o chamado do irmão e, para ajudá-lo na vingança, gerou as deidades do mal: "Ela deu à luz o Destino e as cruéis Parcas... a Destruição e a Morte... a acusação e a Dolorosa Aflição... a Fome e o Sofrimento". Nyx também trouxe ao mundo a Contenda e mais as Lutas, Batalhas, Assassinatos, Brigas, Mentiras, Disputas, Ilegalidade e Ruína. Finalmente nasceu Nêmesis ("Retribuição"). Urano teve seu chamado atendido: lutas, batalhas e guerras passaram a existir entre os deuses.

Os Titãs também traziam a esse mundo perigoso a terceira geração de deuses. Temerosos da retribuição, mantinham-se muito unidos, e cinco dos irmãos casaram-se com cinco das irmãs. Desses casais divinos, o mais importante era aquele formado por Réia e Cronos, porque este, devido a sua audácia, assumira a liderança dos Titãs. Réia deu à luz três filhas e três filhos: Héstia, Deméter e Hera; Hades, Poseidon e Zeus.

Mas, como conta a Teogonia, assim que lhe nascia um descendente, Cronos o engolia. O motivo dessa atitude era uma profecia que vaticinava que ele seria derrotado por um de seus filhos, repetindo-se assim o que fizera com seu pai, Urano.

No entanto, o Destino não podia ser evitado. Para enganar Cronos, Réia escondeu o recém-nascido Zeus na ilha de Creta, e em lugar dele entregou ao marido "uma pedra envolta em coqueiros". Sem perceber o engodo, Cronos engoliu a pedra. Logo depois começou a vomitar e devolveu ao mundo todos os filhos que tentara eliminar anteriormente.

"Com o passar dos anos, a força e os gloriosos membros do príncipe Zeus cresceram rapidamente". Por algum tempo, sendo um neto digno do lascivo Urano, o jovem Zeus só pensou em aventuras amorosas, envolvendo-se com uma variedade de belas deusas, muitas vezes entrando em lutas com seus parceiros. Contudo, acabou chegando a hora de ele voltar sua atenção para os negócios de Estado. Havia dez anos os Titãs mais velhos, habitantes do monte Otíris, viviam em constante disputa com os mais jovens, "aqueles que Réia, a de longos cabelos, gerara em resultado de sua união com Cronos" e que moravam no monte Olimpo.

Se essa guerra era uma simples culminância de deterioração das relações entre colônias de deuses rivais, se uma explosão de ciúme entre deuses e deusas infiéis e amorais ou uma primeira etapa da perene rebelião dos jovens contra o antigo sistema, a Teogonia não nos esclarece. Mas as lendas e as peças de teatro gregas sugerem que tudo isso, em seu conjunto, criou uma prolongada e "obstinada" disputa entre os deuses mais velhos e os mais jovens.

Zeus viu nesse conflito a oportunidade de conquistar a supremacia sobre os deuses e, consciente ou inconscientemente, fez cumprir o destino de Cronos: ser derrotado pelo próprio filho.

O primeiro ato de Zeus foi "libertar os irmãos de seu pai, os filhos de Urano que Cronos, em sua tolice, mandara prender". Em sinal de gratidão, os três Ciclopes lhe deram as armas divinas que Géia escondera do marido lascivo: "O Trovão, o Raio e o Relâmpago que Irradiava". Os dois irmãos de Zeus também receberam presentes: Hades ganhou um capacete mágico, que o tornava invisível, e Poseidon um tridente milagroso, capaz de fazer o céu e a terra estremecerem. Para restaurar a disposição dos Hecatônquiros depois do longo cativeiro, devolvendo-lhes o antigo vigor, Zeus mandou servir-lhes "néctar e ambrósia, o mesmo que os deuses comem". Em seguida, dirigiu-se a eles dizendo:

Ouvi-me, ó brilhantes filhos de Géia e Urano, para que eu possa dizer o que meu coração pede.

Faz muito tempo que nós, os nascidos de Cronos, e os Titãs lutamos diariamente uns com os outros, para obtermos a vitória e prevalecermos.

Quereis agora mostrar vossa grande força e poder e enfrentar os Titãs nessa amarga contenda?

Cotos, um dos que possuíam cem braços, respondeu: "Divino, falas bem o que sabemos... por causa de tuas tramas voltamos da escuridão, nos libertamos de cruéis grilhões. E agora, com firme propósito e numa decisão conjunta, aumentaremos teu poder nessa guerra terrível e lutaremos contra os Titãs em duras batalhas".

Assim, "todos os que nasceram de Cronos, junto com os temidos poderosos de inigualável força que Zeus devolvera à luz... todos, machos e fêmeas, atiçaram a odiosa batalha". Os Titãs mais velhos "ansiosamente arranjaram suas fileiras" para enfrentar os olímpicos. A guerra envolveu toda a Terra e também os céus:

O mar ilimitado rugia, a terra explodia;

Os céus estremeciam e gemiam, o alto Olimpo balançou em suas bases sob a carga dos deuses imortais.

O trovejar dos pés dos deuses e o aterrador ataque de seus duros mísseis criaram um terremoto que atingiu até o Tártaro.

Num verso que nos faz lembrar o texto da profecia dos Manuscritos do Mar Morto, a Teogonia fala dos gritos de guerra dos deuses em batalha:

Eles lançaram seus atrozes raios uns contra os outros. O clamor dos gritos dos dois exércitos chegou ao céu estrelado enquanto eles se enfrentavam com grande furor.

Zeus entrara na luta com todo o seu poderio, usando ao máximo as Armas Divinas que possuía: "Dos céus, pelo outro lado do monte Olimpo, ele desceu, atirando seus raios. As faíscas voavam espessa e rapidamente de suas mãos. Trovões e raios juntos, rodopiando como uma chama aterradora. A terra fértil incendiou-se e vastas florestas estalaram com o calor. O solo fervia também a água doce dos rios e o salgado mar".

Então Zeus lançou uma Pedra do Trovão contra o monte Otíris. Pelo que lemos no texto da Teogonia, entendemos que houve nada mais nada menos do que uma explosão atômica.

O vapor quente lambeu os Titãs nascidos de Géia;

Chamas incalculáveis ergueram-se para o mais alto ar.

O fulgor flamejante da Pedra do Trovão, suas faíscas cegaram olhos, tão fortes eram.

Um calor terrível envolveu Caos...

Era como se a Terra e o amplo Céu acima tivessem se juntado.

Houve um estrondo violento, como se a Terra tivesse sido atirada a sua ruína.

Esse enorme estrondo aconteceu enquanto os deuses estavam engalfinhados em luta.

Além do ruído apavorante, da explosão e do tremendo calor, o lançamento da Pedra do Trovão também deu origem a uma violenta tempestade de vento:

Os ventos também foram trazidos e chegaram rugindo; terremoto e tempestades de areia, trovões e raios.

Quando os dois lados viram e ouviram os efeitos da Pedra do Trovão do grande Zeus, "houve um período de terríveis lutas; grandes feitos foram realizados, mas a batalha começou a amainar". A guerra estava terminando porque os deuses tinham superado os Titãs em armamentos.

"Não saciados com a guerra", os três Ciclopes caíram sobre os Titãs, derrotando-os com seus mísseis portáteis. "Eles os prenderam em tristes grilhões" e os levaram para o distante Tártaro. "E lá, pela vontade de Zeus, que cavalga as nuvens, os Titãs estão ocultos sob uma espessa névoa, num lugar úmido dos confins da Terra". Os Ciclopes permaneceram no Tártaro na qualidade de "fidedignos guardiões de Zeus", para vigiarem os prisioneiros.

Quando Zeus estava para exigir a "égide", ou seja, a suserania sobre todos os deuses, um inesperado adversário surgiu em cena para desafiá-lo. "Quando Zeus expulsou os Titãs do céu, a grande Géia, com o auxílio da dourada Afrodite, deu à luz seu filho mais novo, Tifeu, fruto de seu amor com Tártaro". Tifeu ou Tífon era um monstro: "A força de suas mãos estava em tudo o que fazia, e os pés desse poderoso deus eram incansáveis. De seus membros cresciam uma centena de cabeças de serpente e um apavorante dragão, todos com línguas negras e sibilantes. Dessas impressionantes cabeças saía fogo e havia voz em todas elas, cada uma emitindo sons incríveis". Esses sons podiam ser o de um homem falando, o berro de um touro, o rugido de um leão ou o latir de um cachorro. Segundo Píndaro e Ésquilo, Tífon era gigantesco, e "sua cabeça tocava as estrelas".

As Musas revelaram a Hesíodo: "Algo inevitável teria acontecido naquele dia; Tífon acabaria reinando sobre mortais e imortais". No entanto, Zeus percebeu o perigo a tempo e não demorou a atacar.

A série de combates que se seguiu não foi menos impressionante que as batalhas entre os deuses e os Titãs, pois Tífon, o deus-serpente, possuía asas e, tal como Zeus, era capaz de voar. "Zeus trovejou com todo o seu poderio, e a terra em volta foi sacudida de forma impressionante, o mesmo acontecendo com o céu, o mar e os rios de todas as partes do mundo". As Armas Divinas voltaram a ser empregadas - e por ambos os combatentes.

Por causa dos dois, por causa de seus trovões e raios.

O calor envolveu os mares azuis;

Por causa do fogo do Monstro, dos ventos escaldantes e do Trovão fulgurante, toda a Terra ferveu como ferveram céu e mar.

Grandes ondas estouraram nas praias...

Houve um tremor interminável.

No Mundo Inferior, "Hades estremeceu em seus domínios". Tremeram também os Titãs presos nos confins da Terra. Os dois combatentes perseguiam-se por todo o céu da Terra. Zeus foi o primeiro a atingir o adversário, e usou para isso seu "lúgubre Trovão".

A arma "queimou todas as extraordinárias cabeças do monstro e tudo que estava a sua volta", abatendo o impressionante aparelho de Tífon.

Quando Zeus o venceu, fulminando-o com seus golpes,

Tifeu foi atirado contra o solo e espatifou-se.

A imensa Terra gemeu.

Uma chama saltou do deus atingido, no inóspito, escuro e recôndito vale do Monte, onde ele tombara.

Uma grande parte da imensa Terra foi calcinada pelo terrível vapor, derretendo-se como derrete o estanho quando aquecido pelas artes do homem...

Na incandescência de um fogo resplandecente, a Terra derreteu.

Apesar de o aparelho que pilotava ter se estatelado no chão, Tífon saiu vivo do desastre. Segundo a Teogonia, Zeus, como fizera com os Titãs, "atirou-o no amplo Tártaro". O vencedor, agora com seu reino seguro, voltou sua atenção para a importante tarefa de procriar, gerando descendentes com esposas e concubinas.

Embora a Teogonia descreva um único combate entre Zeus e Tífon, outros textos gregos garantem que essa luta foi a luta final. Houve várias outras, em que Zeus foi o primeiro a ser ferido. De início ele combateu corpo a corpo, usando a foice que sua mãe confeccionara, para executar "o maldoso instrumento"; pois seu propósito era castrar Tífon. Mas este defendeu-se atirando sua rede, e Zeus ficou preso nela. Tífon então pegou a foice e com ela cortou os tendões dos pés e das mãos de Zeus. Em seguida depositou seu indefeso inimigo, seus tendões e armas numa caverna distante.

Os deuses Egipano e Hermes encontraram a caverna, ressuscitaram Zeus refazendo seus tendões e devolveram-lhe as armas. Ele então retornou ao Olimpo voando numa "Carruagem Alada" e lá obteve um novo suprimento de raios para sua Arma Divina. Assim preparado, renovou seus ataques contra Tífon e conseguiu impeli-lo para o monte Nissa, onde as Parcas enganaram seu inimigo, fazendo-o comer o alimento dos mortais, o que o enfraqueceu em vez de torná-lo mais forte. Em seguida houve uma nova batalha nos céus do monte Hemo, na Trácia, que prosseguiu sobre o monte Etna, na Sicília, e foi terminar no monte Casio, na costa asiática do Mediterrâneo. E ali Zeus, usando seus raios, abateu Tífon.

A similaridade entre os relatos sobre as batalhas e as armas empregadas, as lendas sobre castração, mutilação e ressurreição - todos relacionados com uma luta pela sucessão - convenceram Heródoto e outros historiadores gregos clássicos de que os gregos tinham emprestado sua teogonia dos egípcios. O deus Egipano dos gregos, por exemplo, seria o Deus Carneiro africano, e Hermes tinha muitos paralelos com Thot. A própria Teogonia conta que, quando Zeus partiu à procura da bela mortal Alcmene com a intenção de gerar o herói Héracles, ele se esgueirou do Olimpo à noite, sem ser notado, e foi para o país de Tifaônia, descendo no alto de Fíguion (a Montanha da Esfinge). A propósito, "a letal Esfinge, que destruiu os cadmeus ('Os Antigos')", mencionada nas lendas sobre Hera, a consorte oficial de Zeus, também estava ligada a Tífon e seus domínios. Além disso, o escritor Apolodoro contou que, quando Tífon começou a crescer, atingindo um tamanho gigantesco, os deuses apressaram-se a ir ao Egito para conhecer o impressionante monstro.

A maioria dos eruditos afirma que o monte Casio, cena da última batalha entre Zeus e Tífon, ficava localizado perto da foz do rio Orontes, na atual Síria. Mas como Otto Eissfeldt mostrou num importante estudo (Baal Zaphon, Zeus Kasios und der Durchgang der Israeliten durches Meer), na Antiguidade existia um outro monte com esse nome - um promontório no lago salgado Serbônico, que avançava da península do Sinai para o Mediterrâneo. Ele sugere que esse seria o local mencionado nas lendas.

Mais uma vez, só nos resta confiar nas informações que Heródoto recebeu no Egito. Descrevendo a rota terrestre entre a Fenícia e o Egito, passando pela Filistéia, ele escreveu (História, Livro III, 5) que as terras asiáticas "estendem-se até o lago Serbônico, perto do local onde o monte Casio avança para o mar. O Egito começa no lago Serbônico, onde, segundo a lenda, Tífon foi se esconder".

Novamente as lendas gregas e egípcias se cruzam, dando a península do Sinai como a cena da batalha final.

Apesar das inúmeras conexões encontradas pelos gregos entre seus deuses e os egípcios, foi num local muito distante desses dois países - a Índia - que os eruditos europeus descobriram paralelos ainda mais impressionantes entre as duas teogonias.

No final do século 18, quando o sânscrito - a língua da antiga Índia - começou a ser compreendido pelos estudiosos, a Europa passou a se encantar com traduções de textos que até então lhe eram desconhecidos. De início, o estudo da literatura, da filosofia e da mitologia sânscritas foi um campo dominado pelos britânicos. No entanto, por volta de meados do século 19, ele se tornou um dos grandes preferidos dos intelectuais alemães, pois descobriu-se que o sânscrito era a língua-mãe dos idiomas indo-europeus (aos quais pertence o alemão) e que fora levado à Índia por migrantes saídos das margens do mar Cáspio - os arianos -, que seriam também os ancestrais dos alemães.

A peça central da literatura sânscrita são os Vedas, escrituras sagradas que, segundo a tradição, foram redigidas pelos deuses em épocas muito remotas. Os Vedas foram levados para o subcontinente asiático por migrantes arianos em algum ponto do segundo milênio antes de Cristo, através da tradição oral. Com o passar dos séculos, grande parte das centenas de milhares de versos se perdeu. Mas, por volta de 200 a.C. um sábio reuniu os que restaram, dividindo-os em quatro partes: o Rigveda ("Veda de Versos"), composto por dez livros; o Sammaveda ("Vedas Cantados"); o Yajurveda (basicamente preces sacrificiais); e o Atharvaveda (mágicas e encantamentos).

Com o tempo, os vários componentes dos Vedas e a literatura auxiliar deles originada - Mantras, Bramanas, Aranyakes, Upanishads - ampliaram-se com os Puranas (manuscritos antigos) não-védicos. Junto com os grandes épicos hindus do Mahabharata e do Ramayana, eles constituem as fontes das lendas sobre o Céu e a Terra, sobre deuses e heróis.

Devido ao amplo período em que foram transmitidos oralmente e à enorme quantidade de textos escritos, copiados e recopiados ao longo dos séculos, os nomes, atributos e epítetos das deidades - aspectos agravados pelo fato de os nomes e termos originais não serem na verdade arianos -, não se pode confiar na consistência e na precisão da literatura védica, como bem reconhecem os estudiosos. No entanto, alguns fatos e eventos emergem como princípios básicos do legado hindu-ariano.

No princípio, segundo essas fontes, havia apenas os corpos celestes, "Os Primevos que Fluem". Ocorreu uma comoção nos céus e o "Dragão" foi partido em dois pelo "Tempestuoso".

Dando às duas partes nomes de origem não ariana, as lendas afirmam que Rehu, o pedaço superior do planeta destruído, continuou atravessando os céus em busca de vingança. A parte inferior, Ketu ("O Cortado"), juntou-se aos "Primevos" em seu fluxo (órbitas). Muitas eras se passaram, e então surgiu uma Dinastia de Deuses do Céu e da Terra. O celestial Mar-Ishi, que os chefiava, teve sete (ou dez) filhos com sua consorte Prit-Hivi ("A Ampla"), que personificava a Terra. Um deles, Kas-Yapa ("O do Trono"), tornou-se chefe dos Devas ("Os Luminosos"), conquistando o título de Dyaus-Pitar ("Pai do Céu") - um indubitável paralelo com o nome-título grego de Zeus ("Dyaus") e seu correspondente romano Júpiter ("Dyauspiter").

Muito prolífico, Kasyapa gerou um grande número de deuses, gigantes e descendentes monstruosos com várias esposas e concubinas. Deles, os mais preeminentes, conhecidos e reverenciados desde a era védica são os Adityas - alguns deles filhos da consorte oficial Aditi ("ilimitada"). De início os Adityas eram sete: Vishnu, Varuna, Mitra, Rudra, Pushan, Tvashtri e Indra. Mais tarde veio juntar-se a eles Agni, filho de Kasyapa com Aditi ou, como sugerem alguns textos, com sua própria mãe, Prithivi. O número dos Adityas acabou chegando a doze, o mesmo dos componentes do círculo olímpico dos gregos. Entre eles estava Bhaga, que os estudiosos acreditavam ser o deus eslávico conhecido como Bogh. O último dos Adityas a nascer foi Surya, mas não se sabe com certeza se ele era mesmo filho de Kasyapa.

Tvashtri ("O Fabricante"), em seu papel de "Faz-Tudo", o artífice dos deuses, forneceu armas mágicas e carros voadores a todos os deuses. Usando um fulgurante metal celestial, ele construiu um disco para Vishnu, um tridente para Rudra, uma "arma de fogo" para Agni, um "trovejante arremessador" para Indra e uma "clava voadora" para Surya. Nas antigas figuras hindus, todas essas armas se parecem com mísseis portáteis, tendo as mais variadas formas. Além dessas armas, os deuses obtiveram outras com os assistentes de Tvashtri. Indra, por exemplo, recebeu uma "rede aérea", com a qual podia capturar os inimigos durante combates no céu.

Os veículos celestes, ou "carros aéreos", eram invariavelmente descritos como luminosos e radiantes feitos ou folheados a ouro. O Vimana (carro aéreo) de Indra tinha luzes brilhantes nas laterais e movia-se "mais rápido que o pensamento", atravessando grandes distâncias com muita facilidade. Os cavalos invisíveis que o puxavam possuíam "olhos de sol", que emitiam raios de um tom avermelhado, às vezes mudando de cor. Em algumas lendas os carros aéreos dos deuses são descritos como tendo vários andares, e outras afirmam que além de voar eles podiam viajar sob a água. No conto épico Mahabharata, a chegada dos deuses a uma festa de casamento numa frota de veículos aéreos é descrita da seguinte forma (com base na tradução de R. Dutt em Mahabharata, The Epic of Ancient India):

Os deuses, em carros transportados por nuvens, vieram assistir a cena tão bela;

Luminosos Adityas em seu esplendor, Maruts no ar corrente;

Suparnas alados, Nagas escamosos,

Rishis Devas puros e elevados; os Gandharvas, famosos por sua música, e os belos Apsaras do céu...

Brilhantes naves celestes em comitiva, deslizavam pelo céu sem nuvens.

Os textos também falam nos Ashvins ("Condutores"), deuses especializados em dirigir os carros aéreos. "Rápidos como jovens falcões", eles eram "os melhores condutores que já atingiram os céus", e sempre guiavam seus artefatos em duplas, acompanhados de um navegador. Seus veículos, que às vezes surgiam em grupos, eram feitos de ouro, sendo "luminosos e radiantes... confortáveis de sentar e com um macio ondular". Esses carros aéreos eram construídos com base num princípio triplo, pois tinham três andares, três poltronas, três varas de apoio e três rodas giratórias. O Hino 22 do Livro VIII do Rigveda diz, ao louvar os Ashvins: "Sua carruagem possuía bancos triplos e rédeas de ouro - o famoso carro que atravessa Céus e Terra". Parece que as rodas giratórias tinham várias funções. Uma erguia a nave, outra a direcionava, e a terceira a impulsionava. "Uma das rodas de seu veículo está girando rapidamente; a outra acelera para colocá-lo em seu curso para a frente".

Como acontece com os deuses das lendas gregas, os dos Vedas também mostram pouca moralidade e restrição em assuntos sexuais. Às vezes eles eram malsucedidos, como aconteceu com Dyaus, que por ter violado sua neta Ushas, irmã dos Adityas, tomou-se alvo da vingança destes, que encarregavam Rudra ("O Três-Olhos") de matá-lo. Dyaus salvou-se fugindo para um distante corpo celeste. Tal como aconteceu com os deuses gregos, posteriormente os hindus começaram a se envolver nas guerras e nos amores dos reis e heróis mortais. Nesses combates, os veículos aéreos dos deuses desempenhavam um papel mais importante que suas armas. Assim, quando um herói afogou-se, os Ashvins apareceram numa esquadrilha de três carros aéreos, "navios auto-impulsionados, hermeticamente fechados, que cruzavam o ar", e com eles mergulharam no mar, tiraram o herói das profundezas e "o levaram para a terra, além do oceano líquido". Há também a lenda de Yayati, um rei que se casou com a filha de um deus. Quando o casal gerou filhos, o feliz avô presenteou o genro com uma "fulgurante nave celestial feita de ouro que podia ir a qualquer lugar sem interrupção". Sem perder tempo, o rei "subiu no carro e, com ele, sendo imbatível em batalha, conquistou a Terra inteira em seis noites".

Como na Ilíada, as tradições hindus também falam de guerras de homens e deuses e por causa de belas heroínas. A mais conhecida dessas lendas é o Ramayana, o longo épico de Rama, o príncipe cuja encantadora esposa foi raptada pelo rei de Lanka (a ilha de Ceilão). Entre os que apareceram para ajudar Rama estava Hanuman, o deus com cara de macaco que se envolveu em combates aéreos com o alado Garuda, um dos monstruosos filhos de Kasyapa. Em outra ocasião, Sukra, um deus "maculado pela imoralidade", raptou Tara, a bela esposa do condutor de Indra. Rudra e outros deuses apareceram para ajudar o marido ofendido. Houve então, "por causa de Tara, uma terrível batalha em que tombaram deuses e monstros". Apesar de seu impressionante armamento, os deuses levaram a pior e tiveram de procurar refúgio com a "Deidade Principal". Foi preciso o avô dos deuses vir à Terra para pôr fim à guerra, devolvendo Tara ao marido. Quando a mulher deu à luz um filho, "cuja beleza superava a dos celestiais", os deuses, desconfiados, "exigiram saber quem era o verdadeiro pai do menino: o marido legítimo ou o deus raptor". Tara então anunciou que o bebê era filho de Soma, a "Imortalidade Celestial", e lhe deu o nome de Budah.

No entanto, esse envolvimento dos deuses nos assuntos dos homens foi algo que só aconteceu depois de muito tempo: em épocas mais primitivas, eles guerreavam entre si por causas mais importantes, como a supremacia, o governo da Terra e a administração de seus recursos naturais. Devido à grande quantidade de filhos de Kasyapa com uma série de esposas e concubinas, mais os descendentes dos outros deuses, o conflito era inevitável. O domínio dos Adityas irritava especialmente os Asuras, deuses mais velhos, gerados por Kasyapa com outras mulheres antes de os Adityas nascerem. Tendo nomes não arianos, com clara origem no Oriente Médio (lembrando as divindades supremas da Assíria, da Babilônia e do Egito: Assur, Asar, Osíris), esses Asuras acabaram assumindo, nas tradições hindus, o papel de deuses malignos ou "demônios".

A inveja, rivalidade e outros motivos para atrito acabaram resultando em guerra quando a Terra, "que de início produzia alimentos sem necessidade de cultivo", foi assolada por uma escassez geral, que trouxe a fome. Os deuses sustentavam sua imortalidade bebendo o Soma, uma ambrósia que era trazida da Morada Celestial e ingerida misturada ao leite. O gado que eles criavam também lhes fornecia a carne para os "sacrifícios" ou os assados que tanto apreciavam. Com a escassez, as dificuldades começaram a surgir. O Satapatha Brahmana descreve os eventos que se seguiram:

Os deuses e os Asuras, nascidos do Pai dos Deuses e Homens, combateram pela superioridade. Os deuses venceram os Asuras, mas, mais tarde, estes voltaram para perturbá-los...

Os deuses e os Asuras, nascidos do Pai dos Deuses e Homens, estavam novamente combatendo pela superioridade. Dessa vez os deuses encontraram a derrota. Os Asuras pensaram: "A nós, sem dúvida, pertence este mundo!".

Em seguida disseram: "Então dividamos este mundo entre nós. Feito isso, nele subsistiremos". Conseqüentemente, começaram a dividir o mundo do Ocidente ao Oriente.

Ao tomarem conhecimento do que estava acontecendo, os Adityas foram pedir aos irmãos que lhes dessem parte dos recursos da Terra.

Quando ouviram isso, os deuses disseram: "Os Asuras estão mesmo dividindo esta Terra! Venham, vamos até onde eles estão fazendo a partilha, pois o que será de nós se não conseguirmos nossa parte da Terra"?

Colocando Vishnu à frente, eles foram até os Asuras.

 

Arrogantes, os Asuras ofereceram aos Adityas apenas a porção da Terra que pudesse ser coberta pelo corpo de Vishnu quando ele estivesse deitado. Mas os deuses empregaram um estratagema. Puseram Vishnu num "recinto fechado" que podia "andar em três direções", e assim conseguiram recuperar três das quatro regiões da Terra.

Os Asuras, frustrados, iniciaram um ataque a partir do sul. Os deuses perguntaram a Agni "como poderiam vencê-las para sempre". Agni sugeriu uma manobra em formato de pinça: "Darei a volta pelo norte, e vocês avançarão sobre eles daqui; quando os fecharmos, os arrasaremos". Segundo está registrado no Satapatha Brahmana, depois de vencerem os Asuras "os deuses estavam ansiosos, preocupados em como poderiam reabastecer-se para seus sacrifícios". Muitos trechos dos textos antigos que relatam essa batalha falam da recaptura do gado e da volta do fornecimento do Soma.

Essa guerra ocorreu em terra, no ar e no fundo do mar. Os Asuras, segundo o Mahabharata, construíram fortalezas de metal no céu, de onde atacavam as três regiões da Terra. Seus aliados podiam ficar invisíveis e usavam armas também invisíveis; alguns deles atacavam de uma cidade submarina que tinham capturado dos deuses.

Quem mais se distinguiu nessa guerra foi Indra ("Tempestade"), que destruiu 99 fortalezas terrestres dos Asuras, matando um grande número de seus seguidores. Nos combates aéreos ele usou um carro voador para lutar com os inimigos que se escondiam em "fortalezas de nuvens".

Os hinos dos Rigveda citam grupos de deuses e deidades individuais derrotadas por Indra (R. T. Griffith, The Hymns oficial the Rig-Veda):

Matas com teu raio os Sasyu...

Longe do assoalho do céu, em todas as direções, os antigos, sem ritos, fugiam para a destruição...

Os Dasyu queimaste dos céus.

Eles se envolveram em batalha com o exército dos sem culpa; então os Navagvas lançaram todo seu poderio.

Como emasculados em combate com homens, eles fugiram tomando trilhas íngremes, escapando da presença de Indra.

Indra invadiu as fortalezas de Ilibsa e com seus chifres cortou Sushna em pedaços...

Mataste teu inimigo com teu trovão...

A arma de Indra, feroz, abateu-se sobre os inimigos, e com seu agudo estampido ele fez suas cidades em pedaços.

Intrépido, vais de luta em luta, destruindo castelo após castelo com tua força.

Tu, Indra, com teu amigo que faz o inimigo se curvar, afastas para longe os astuciosos Namuchi.

Levaste à morte Karanja, Parnaya...

Destruíste as cem cidades de Vangrida.

Os cumes do altíssimo céu sacudiste quando sozinho, ousaste exterminar Sambara.

Depois de vencer os inimigos, tanto em batalhas como em combates individuais, fazendo-os "fugirem para a destruição", Indra voltou sua atenção para a libertação do gado dos deuses. Os "demônios" o haviam escondido no interior de uma montanha, onde ficavam guardados por Vala ("O que Cerca"). Auxiliado pelos Angirases, deuses jovens que podiam emitir chamas divinas, Indra irrompeu no esconderijo e soltou os animais. Alguns estudiosos, como J. Herbert em Hindu Mythology, afirmam que o objetivo de Indra era libertar ou recuperar um Raio Divino, e não o gado, pois a palavra sânscrita go serve para designar as duas coisas.

No início dessas guerras, os Adityas designaram Agri ("Ágil") para ser o Hotri, ou seja, o chefe das operações. Com o passar do tempo - alguns textos sugerem que o conflito durou mais de mil anos -, Vishnu ("O Ativo") assumiu o cargo. No entanto, com o fim das hostilidades, Indra, que tanto se distinguira nas batalhas, exigiu a supremacia. Tal como na Teogonia dos gregos, um de seus primeiros atos foi matar o próprio pai. O Rigveda (Livro IV; 18,12) pergunta ao jovem deus: "Indra, quem fez de tua mãe uma viúva?". A resposta vem também em forma de pergunta: "Que deus estava presente na refrega quando mataste teu pai, agarrando-o pelo pé?".

Para castigar Indra pelo seu nefando crime, os deuses proibiram-no de beber o Soma, pondo em perigo sua imortalidade, e "ascenderam aos céus" deixando o irmão com o gado que recuperara. Mas Indra foi atrás deles "com a arma do trovão erguida". Temerosos, os deuses gritaram: "Não atire!", e concordaram em deixá-lo compartilhar dos alimentos divinos.

Indra conquistou a Liderança, mas hou